Cresce o interesse por móveis personalizados e produção manual qualificada no mercado americano
O mercado de móveis residenciais nos Estados Unidos foi estimado em 189,8 bilhões de dólares em 2024 e deve alcançar 250,9 bilhões até 2033 segundo relatório do IMARC Group. O crescimento contínuo e a forte presença de móveis de madeira refletem a busca por durabilidade, estética natural e personalização. Dados nacionais também mostram a dimensão da cadeia produtiva do setor. Segundo levantamento de 2025, a indústria de furniture and fixtures manufacturing reúne cerca de 269 mil trabalhadores, movimentando um ecossistema amplo de fornecedores, fabricantes e profissionais especializados.
Nesse cenário, a marcenaria autoral e as técnicas manuais em madeira maciça ganham relevância. Para a designer brasileira Karla Ribeiro Dias, que atua há mais de uma década criando peças artesanais com acabamento escultural, o mercado americano tem se mostrado receptivo a trabalhos que unem autenticidade e funcionalidade. “A madeira traz história e identidade. Quando a peça é feita manualmente, preservando veios e curvas naturais, ela se conecta ao ambiente de forma única e acrescenta valor cultural ao espaço”, afirma.

A demanda global por móveis personalizados reforça esse movimento. Estudos internacionais indicam que o segmento de custom furniture deve crescer a uma taxa anual composta de 9,2 por cento entre 2025 e 2032 impulsionado pela busca por exclusividade e pelo interesse em peças adaptadas ao estilo e ao tamanho de cada ambiente. Nos Estados Unidos, essa tendência se intensifica em reformas residenciais e projetos que priorizam consumo sustentável, materiais naturais e soluções de longa vida útil.
Embora não existam estatísticas públicas que quantifiquem de forma precisa a carência de marceneiros artesanais no país, análises do setor sugerem que a produção industrial não atende plenamente a demanda por peças únicas. Para Karla, a lacuna entre a oferta de produtos padronizados e a procura por trabalhos autorais cria oportunidades para profissionais que dominam técnicas manuais. “O cliente que procura madeira maciça quer mais do que um móvel funcional. Ele quer presença estética, textura e uma peça que faça sentido no cotidiano”, diz.
A atuação artesanal também exige atenção à origem da madeira, aos processos de secagem e ao acabamento. Especialistas em interiores recomendam que consumidores avaliem a procedência da matéria-prima, a técnica de produção e a compatibilidade das peças com as dimensões e a atmosfera do espaço. Peças artesanais bem executadas tendem a apresentar maior durabilidade e integração estética, reforçando o apelo do design autoral.
Com a expansão do mercado moveleiro, o aumento da demanda por personalização e o interesse crescente por materiais naturais, o design artesanal em madeira maciça ocupa um espaço estratégico na economia criativa norte-americana. Para Karla Ribeiro Dias, a combinação entre técnica manual, sustentabilidade e estética orgânica posiciona a marcenaria autoral como uma contribuição significativa ao setor de interiores e como uma alternativa relevante dentro de um mercado em transformação.
